Jogos Sociais: novo vício ou apenas lazer?


Num mundo onde os maiores vícios são quase sempre prejudiciais ao Homem e ao meio ambiente, como por exemplo, o tabaco, as drogas e o álcool, surge um outro vício, não tão maligno, mas que ninguém esperava que surgisse: os jogos sociais, mais propriamente as raspadinhas e as apostas desportivas.

Estes jogos existem desde 1783 com a criação da Lotaria que originou todos os outros jogos da Santa Casa da Misericórdia.
Pedro António, gerente da papelaria Havaneza, sediada no centro histórico de Abrantes, afirma que os jogos “contribuem para a papelaria desde sempre, não só como chamariz, mas também como uma fonte de rendimento”. O mesmo diz Carlos Dias, proprietário da Tabacaria 1x2, que refere que “os jogos sociais representam metade do negócio”.
Este tipo de jogos estão presentes nestes estabelecimentos há imenso tempo, há 43 anos, no caso da Tabacaria 1x2, e desde o início do Totoloto, na papelaria Havaneza.
A evolução destes jogos tem sido arrasadora e os lucros são usados para boas causas. A Santa Casa da Misericórdia reverte os seus lucros para “instituições, hospitais e para o Estado”, concordam os proprietários dos estabelecimentos que vendem no centro histórico. Semanalmente, centenas de pessoas passam por esses estabelecimentos, como afirmam os seus administradores, dizendo que “as pessoas aderem muito a estes jogos”. Carlos Dias afirma ainda que “aderem para ganhar dinheiro. É algo assustador em termos da quantidade de pessoas”.

Recuemos até julho de 1995, onde surge a Lotaria Instantânea, cujo lançamento ficou a dever-se à necessidade de ampliar as áreas de apoio e intervenção social. Em março de 2010, o jogo assumiu uma nova identidade e passou a ser designado por "Raspadinha". Atualmente são emitidos entre 1 a 20 milhões de bilhetes que variam entre datas, épocas e temas, segundo informa o site da Santa Casa.
“Agora vendem-se mais raspadinhas, tanto aqui na tabacaria como em todo o país. Há uma maior procura da raspadinha por ser uma aposta imediata e porque a publicidade também tem um grande peso que leva as pessoas a jogarem”, afirmou Carlos Dias.
Ainda este ano, surge um novo jogo e um novo vício para acompanhar as raspadinhas: o Placard, um jogo de apostas desportivas. Este jogo testa o conhecimento dos apostadores em futebol, ténis e basquetebol, nas diferentes competições e eventos desportivos disponíveis.
Como não há uma sem duas, o Placard veio acompanhar as raspadinhas e ambos têm sido bastante procurados pelas pessoas, mesmo assim, “as raspadinhas têm mais procura”, referem os gerentes. Apesar de serem até certo ponto viciantes e de serem os jogos mais procurados, existem diferenças entre eles.

Segundo Pedro António, “a raspadinha tem maior probabilidade de ganho, mas não significa que o ganho seja grande, o que quer dizer é que em x apostas ganha-se uma percentagem maior do que nos outros jogos.Enquanto os outros jogos têm cerca de 25% de apostas até 150€, a raspadinha tem 60% de ganhos até 150€”. Já Carlos Dias menciona que “a raspadinha é um jogo imediato. Joga-se e sabe-se logo o resultado, enquanto no Placard tem que se esperar pelos jogos”.
Contudo, também têm coisas em comum: são bastante rentáveis, e se existe alguém que o possa comprovar, são os proprietários dos estabelecimentos que os vendem, que afirmam rentabilizar por semana 10 mil euros no caso da papelaria e 3 mil euros no caso da tabacaria. Estes dados, fazem-nos perceber o quão requisitados são estes jogos. Pedro António acrescenta ainda que “os jogos sociais são muito mais rentáveis comparativamente com os outros produtos da papelaria, fazemos a conta final e concluímos que os jogos sociais dão muito mais lucro”. No estabelecimento de Carlos Dias o cenário é outro visto que o seu estabelecimento está reduzido a tabaco e a jogos sociais, logo, “as percentagens de venda são ela por ela”, afirmou.
Serão estes jogos um verdadeiro vício? Envolvem muito dinheiro, é certo. A maioria das pessoas começa a jogar para tentar ganhar dinheiro e assim permanecem durante muito tempo, mesmo que não ganhem prémio.

Ricardo Jesus é jogador, começou a jogar por curiosidade e admite que “não se trata de algo viciante se souberem controlar-se”. O mesmo diz Joaquina Alberto que admite “jogar, mas não ser viciada”. Já Vasco Dias, jogador e aluno da ESTA, refere que estes jogos “são viciantes e esse vício gere-se quando percebo que não ganho prémio e tento então reduzir as vezes que jogo”.
Em média, as pessoas questionadas apostam 12 euros por mês e muitas das vezes sem lucro. Os estabelecimentos que vendem estes jogos rendem muito dinheiro. Algumas pessoas falam em vício e outras dizem que não se trata disso.

Afinal, estes jogos sociais tornaram-se um vício?

Onde e quando é que irá parar esta tendência que alimenta a esperança da sociedade?

Crédito: Renata Cunha

Miguel Lopes

O meu nome é Miguel Lopes, o autor deste belo blog. Espero que tenham gostado do que para aqui leram !

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