Quem nunca gostou de jogar à Caça
ao Tesouro? A alegria, o mistério e a aventura de procurar um tesouro, enchia
os corações de quem ansiava por encontrar um baú cheio de ouro. Mas os tempos
mudaram e aquilo que antes era conhecido por Caça ao Tesouro, hoje é conhecido
por Geocaching. Não deixa de ser uma caça ao tesouro, mas já contém regras
diferentes.
O Geocaching nasceu a 2 de maio de
2000 e pode ler-se no seu site oficial que é “uma caça ao tesouro dos tempos
modernos jogado ao ar-livre no mundo inteiro”. Consiste em seguir coordenadas
que nos levam ao grande X que, neste caso, é o local (quase) exato onde se
encontra a geocache, ou seja, o tesouro. Para isto resultar e para ter acesso
às coordenadas, temos que criar conta no site do Geocaching, colocar as
coordenadas que queremos num GPS ou na aplicação do Geocaching no smartphone e que
comece a caça ao tesouro!
Soraia Chambel, conhecida no mundo
do Geocaching por SoraIvo, tem 23 anos
e é a administradora do Geocaching em Abrantes. Admite ter descoberto este jogo
através dos amigos que praticavam. “Fiz a minha primeira geocache sem saber bem
o que era aquilo, até que comecei a entender, a gostar e já pratico á quatro
anos”, afirmou.
O Geocaching pode levar-nos a
locais incríveis e históricos que não conhecemos e que até ficam perto da nossa
localidade. Funciona um pouco como turismo. O que mais cativa a administradora
Soraia são “os locais que o Geocaching permite conhecer, tenho a felicidade de
conhecer quase Portugal de lés a lés graças a este jogo.”
Existem três regras fundamentais
para a prática do Geocaching. Visto que as geocaches podem conter brindes, se
tirarmos algum, temos que deixar algo em troca, para a magia da caça ao tesouro
e da partilha não fuja. Em cada geocache existe um logbook onde temos/devemos
de escrever um pouco sobre a nossa aventura, tal como o nome de utilizador e a
data em que a geocache foi encontrada. E por último, registar a descoberta e a
experiência no site oficial do jogo.
Conhecidas as regras base do
Geocaching nada como ir experimentar. “Existem mais de dois milhões de
geocaches em todo o mundo”, segundo o site oficial. Já em Abrantes, Soraia
Chambel admite existirem “40 a 50 geocaches”.
O ambiente é de festa na cidade
florida, visto que se festeja os 100 anos de Abrantes. Há pequenos
estabelecimentos de comida, barraquinhas onde se vendem produtos de pequenos
comerciantes e rulotes de farturas, algodão doce e pipocas. As ruas da cidade
centenária estão enfeitadas e cheias de alegria. Um dia ótimo para ir à caça de
geocaches.
Vasco Dias, mais conhecido por
vdesign neste mundo das geocaches, tem 21 anos e é praticante de Geocaching há
mais de um ano. Após ter preparado, partimos em busca de geocaches no
município. Vasco afirma que o Geocaching é “uma espécie de caça ao tesouro do
século XXI”. Depois de termos as coordenadas partimos então em direção ao Castelo
de Abrantes, onde tivemos que subir a torre para encontrarmos a pista que nos
levava à geocache final. Sim, porque existem vários tipos de geocache: a
tradicional e simples, a multi-cache que temos que encontrar as pistas que nos
levam à geocache final e as geocache mistério que contém vários puzzles ou
mistérios para que possamos desvendar as coordenadas para a geocache final.
Chegando ao topo da torre, é hora de procurar a pista: esta estava por baixo de
uma plataforma de ferro no centro da torre. O Vasco apontou as coordenadas e
partiu em busca da geocache, que estava no jardim do castelo, no meio da
“floresta”. A geocache estava no entre algumas pedras e era uma pequena caixa um pequeno tupperware com autocolantes do Geocaching.
Assinou-se o logbook e partimos em busca de mais.
Fig.1 - Coordenadas para a geocache final do Castelo
Fig.2 - Geocache final do Castelo de Abrantes
Como estávamos na zona do Castelo
decidimos passar pelo Outeiro, pois o Vasco sabia que lá também existia uma
geocache. Procurou-se as coordenadas e partimos em busca da geocache que estava
numa parte do muro entre as várias pedras de xisto que a escondiam. Assinou-se
o logbook e voltámos a colocar a geocache no mesmo sítio, como mandam as
regras.
Fig. 3 - Geocache do Outeiro de Abrantes
Já estava na hora de jantar e na
hora das festas começarem e quem vive em Abrantes sabe que não se pode perder
nenhum dia das festas do concelho, então decidiu-se parar com a caça à
geocache. Mas como esta caça é algo viciante, no caminho para casa parámos na
Igreja de São João Batista, pois o Vasco também sabia que lá existia a geocache
final da multi-cache “Em Abrantes Eu Vi”. Esta multi-cache passa por vários
pontos da cidade: o parque de estacionamento por trás Bibilioteca António
Botto, à própria Biblioteca, à Praça da República, à Praça Barão da Batalha e
termina na Igreja. Não podíamos ir para casa sem encontrar essa cache. Lá estava
ela nas “escadas que levam a lado nenhum” como manda a dica da geocache.
Assinou-se o logbook, colocou-se a geocache no seu esconderijo e abandonámos o
local. Já se ouvia música: as festas estavam a começar.
Fig. 5 - Cache da Igreja São João Batista, Abrantes
No Geocaching sentimo-nos como se
fossemos caçadores de tesouros e ficamos sempre ansiosos com o que poderemos
encontrar e às vezes acontece que as geocaches desaparecem, o que deixa um
sentimento de vazio a quem as procura.
Como dizia o fundador dos
Escuteiros, Robert Baden Powell, “há que deixar o mundo um pouco melhor do que
o encontrámos” e no Geocaching não se pode fugir à regra. Ao encontrarmos uma
geocache, não podemos danificá-la e devemos colocá-la no sítio onde se
encontrava, para não prejudicar os outros jogadores. Mas infelizmente, há pessoas
que não percebem isso e que continuam por aí a roubar e a danificar geocaches,
estragando assim a magia do Geocaching.
Miguel Lopes
Crédito: Vera Oliveira
Muito bom! Eu sou estudante de Comunicação também e adorei o conceito do teu blogue, estou a seguir :)
ResponderEliminarhttp://photographybyvania.blogspot.pt/